sábado, 12 de fevereiro de 2011

Número de obesos duplicou nos últimos 30 anos

Obesidade afecta 500 milhões de adultos em todo o mundo

Actualmente a obesidade afecta dez por cento dos adultos em todo o mundo. Esta percentagem, o dobro de há 30 anos, representa 500 milhões de obesos, a maioria mulheres.

O alerta foi feito por um estudo publicado na revista
"The Lancet", que avaliou a evolução desta condição entre 1980 e 2008 em pessoas com mais de 20 anos.

Os resultados foram alarmantes: mais de um por cada dez adultos estava obeso, sendo que, entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos são o país que lidera o ranking. Já a população do Japão é a menos afectada pelo excesso de peso. 
Segundo o estudo coordenado por Majid Ezzati, do Imperial College de Londres, e Salim Yusuf e Sonia Anand, do Instituto de Estudos da População/Saúde de Hamilton (Canadá), o excesso de peso é caracterizado por um índice de massa corporal (IMC) acima de 24 quilogramas por metro quadrado.

Ao longo dos 28 anos analisados, este parâmetro usado para medir a relação entre peso e a altura aumentou entre os homens e as mulheres. A nível global, 1,46 biliões de adultos registam excesso de peso, sendo que a obesidade quase duplicou.  Actualmente  afecta 205 milhões de homens e 297 milhões de mulheres, o que corresponde a 9,8 e  13,8 por cento, respectivamente.

Embora a obesidade seja associada sobretudo aos países ricos, os menos desenvolvidos também são afectados. A pequena ilha de Nauru, no Pacífico sul, com 14 mil habitantes, registou em 2008 a maior média de IMC: 33,9 nos homens e 35 nas mulheres. Já em 1980, esta ilha estava no topo da lista, mas com valores inferiores - 28,1 para os homens e 28,3 para as mulheres.

Entre os países ricos, os Estados Unidos, que já tinham a população com maior taxa de obesidade em 1980, permanecem em primeiro lugar, com um IMC de 28,5.  Seguem-se a Nova Zelândia e Austrália entre as mulheres, e o Reino Unido e Austrália entre os homens.

Países desenvolvidos: Japão no fundo da lista
O Japão tem o menor IMC (22 para os homens e 24 para as mulheres) entre países desenvolvidos. No que concerne aos menos desenvolvidos, as mulheres do Bangladesh registam o menor índice entre as mulheres, enquanto a República Democrática do Congo é a primeira entre os homens.

Relativamente à Europa ocidental, a Itália é um caso raro, pois o IMC das mulheres caiu nos últimos 28 anos. Na Bélgica, Finlandia e França, o índice de massa corporal das mulheres sofreu uma ligeira subida. As suíças são as mulheres mais magras da Europa, seguidas pelas francesas e italianas, enquanto os europeus mais magros são os franceses.

O estudo lembra ainda que o excesso de peso, fruto da má alimentação e da falta de actividade física, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e algumas formas de cancro, problemas que estão na base de três milhões de mortes por ano.


Notícia retirada do site da Ciência Hoje

Coimbra desenvolve técnica promissora para diagnóstico de doenças cardiovasculares

Autora do projecto distinguida em conferência internacional

Uma nova técnica não invasiva de monitorização da actividade cardiovascular  desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC) foi internacionalmente reconhecida. Tânia Pereira, aluna de doutoramento em Engenharia Biomédica e autora do projecto, ganhou o prémio "Best Student Paper Award” na conferência Biosignals 2011, encontro que no próximo ano se realiza em Portugal. 

Trata-se de uma iniciativa de “referência” que reúne investigadores e profissionais de todo o mundo de várias áreas do conhecimento  contribuintes da engenharia biomédica. Apresenta critérios “severos” e este ano teve “uma taxa de aceitação de 11 por cento”, o que é demonstrativo “do rigor com que a organização quer ver os problemas”, assegurou ao “Ciência Hoje”  Carlos Correia, coordenador da investigação.

Esta técnica de monitorização hemodinâmica (do coração e das artérias) foi desenvolvida nos últimos quatro anos no Centro de Instrumentação da UC e financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Teve a colaboração de unidades hospitalares da região, onde vão decorrer os ensaios clínicos, agendados para as próximas semanas.

A alternativa proposta por Tânia Pereira destina-se a avaliar um parâmetro do sistema cardiovascular denominado de velocidade de onda de pulso (VOP). “Os cardiologistas atribuem-lhe muita importância para o diagnóstico porque, se a velocidade for muito elevada, significa que a artéria está a endurecer”, o que revela a existência de uma potencial patologia, explicou o investigador.

Como funciona?

São utilizados sensores ópticos para iluminar, no pescoço, o sítio da artéria carótida e transmitir a informação da velocidade de  propagação da onda de pulso. Segundo o catedrático de Coimbra, “em função dos sinais de luz recolhidos, pode-se obter esses dados que têm depois de ser interpretados pelos médicos”.

Para além de fazer a avaliação do parâmetro sem contacto físico, outra das vantagens desta técnica consiste no facto de obter informação local, que é mais precisa do que a regional, disponibilizada pelas técnicas clássicas. O investigador que orientou esta investigação explicou que os métodos convencionais avaliam a VOP através da média entre dois pontos distantes, o que não revela um valor exacto. Já a nova técnica possibilita “dados mais interessantes do ponto  de vista local”, uma vez que avalia um local específico.

Parâmetro com novas informações
A VOP não é um parâmetro muito antigo e clássico como a pressão arterial, por exemplo. No entanto, transmite dados relevantes para a avaliação da saúde cardiovascular. Carlos Correia frisou que “não há um único parâmetro que 'diga tudo'. É preciso interpretar vários aspectos para se perceber o conjunto”.  Desta forma, quando o novo método chegar ao mercado, a sua importância no diagnóstico pode equiparar-se à do estetoscópio ou do electrocardiograma.
 
Para isso, terão ainda de decorrer os testes de  validação clínica, que, em breve, vão ser conduzidos por médicos em várias unidades de referência  da região de Coimbra. “A qualidade da avaliação está assegurada”, concluiu Carlos Correia, acrescentando que o impacto social desta invenção só se vai revelar em pleno quando começar a ser aplicada pelos médicos e chegar aos pacientes. Neste sentido, destaca-se o papel da empresa  ISA – Intelligent Sensing Anywhere, a parceira do projecto responsável pela passagem dos resultados desta investigação para o mercado.


Notícia retirada do site da Ciência Hoje, no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

Ómega-3 pode prevenir cegueira em diabéticos

Como todos nós sabemos (ou devíamos de saber) a diabetes provoca cegueira, então, numa notícia publicada no site da Ciência Hoje, encontrei esta notícia:

Estudo norte-americano publicado na «Science» é nova esperança para quem sofre de retinopatia

Os ácidos gordos ómega-3, que se encontram em grande quantidade do peixe, podem prevenir a retinopatia, uma lesão na retina ocular que pode provocar cegueira. Um estudo publicado agora na revista «Science» revela que o ómega-3 desempenha um papel essencial nas membranas celulares do sistema nervoso. No entanto, a maior parte das actuais dietas ocidentais é pobre neste tipo de gordura.

A retinopatia é o desenvolvimento anormal de vasos sanguíneos na retina (que tem altas concentrações de ómega-3) e uma das principais causas da cegueira.

Os investigadores, liderados pela oftalmologista Lois Smith, do Hospital Pediátrico de Boston (EUA), estudaram a influência dos ómega-3 na retina de ratos e descobriram que o aumento dos ácidos gordos deste tipo devido à dieta limitou o crescimento patológico dos vasos sanguíneos denominados neovasos.

Os ratos alimentados com dietas ricas em ómega-3 tiveram uma redução de quase 50 por cento do crescimento dos vasos sanguíneos na retina, em relação aos alimentados com dietas ricas em ómega-6 (tipo de gordura presente nos óleos de fritar).

A investigadora acredita que a capacidade de impedir o crescimento desses neovasos com ácidos ómega-3 poderá ajudar a reduzir os gastos na saúde, visto os suplementos alimentares serem muito mais baratos do que os tratamentos para este problema.

A equipa de Smith quer agora desenvolver investigação sobre os ácidos gordos ómega-6 mais prejudiciais, numa tentativa de conseguir bloquear selectivamente os agentes metabólicos negativos.

A retinopatia afecta principalmente pessoas que sofrem de diabetes, hipertensão arterial e bebés prematuros. Nos Estados Unidos, 4,1 milhões de diabéticos – número que tende a dobrar nos próximos 15 anos – sofrem deste problema.

Refrigerantes “light” podem prejudicar o coração a longo prazo

Os refrigerantes light ou sem açucar foram ganhando terreno no mercado ao longo dos últimos anos. Muitos consumidores preferem esta alternativa a bebidas açucaradas e calóricas, cujo consumo excessivo está associado a um maior risco de doenças cardiovasculares.

No entanto, podem ter sido induzidos em erro, visto que uma nova investigação sugere que estas opções menos doces podem ser  prejudiciais ao coração, a longo prazo. Se acordo com os dados recolhidos neste trabalho, alguns preliminares, o consumo de refrigerantes light está associado até 60 por cento mais de probabilidades de se sofrer de problemas vasculares.

“Caso os nossos dados sejam  confirmados em estudos futuros, podemos dizer que os refrigerantes light não são os melhores substitutos das bebidas açucaradas, quando se trata de nos protegermos das doenças cardiovasculares”, sublinhou Hannah Gardener, investigadora da Miami Miller School of Medicine (EEUU) e  autora principal deste estudo, durante a sua apresentação  na  International Stroke Conference, que está a decorrer em Los Angels.

A investigação foi feita ao longo de nove anos com um total de 3289 participantes de diferentes raças, com uma idade média de 40 anos. Entre outros assuntos, responderam a questões sobre o tipo e quantidade de bebidas que consumiam e o seu historial médico.

Durante este período, foram detectados 559 problemas cardiovasculares, como acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos ou isquémicos. Alguns destes casos, depois de avaliados outros factores de risco - idade, sexo, origem de cada indivíduo -, foram associados ao consumo de bebidas light, de acordo com os investigadores.

Apesar das conclusões deste estudo, os seus autores admitem que os resultados ainda não podem ser considerados definitivos, pois a sua metodologia não alterou a influência de outros factores fundamentais, como a alimentação ou o exercício. Como tal vão ser realizados novas investigações no sentido de assegurar a veracidade destes dados.

Notícia retirada do site: http://www.cienciahoje.pt/

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Panfletos afixados no recinto escolar durante o mês de Janeiro

No âmbito da disciplina de Área de Projecto, criámos panfletos sobre alguns tipos de doenças cardiovasculares, os seus principais sintomas, algumas medidas de prevenção e figuras públicas que sofreram tais doenças.

Aqui estão os panfletos afixados:



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Entrevista a um doente cardiovascular portador de pacemaker


  1. Como se designa a sua patologia cardiovascular?
           Bloqueio Aurículo-Ventricular completo

  1. Há quanto tempo possui o pacemaker?
           5 anos

  1. Como era a sua vida antes de saber que teria de o usar?
          Tinha uma vida completamente normal, não excedia no álcool, não fumava e tinha uma vida saudável e activa.

  1. Quais as razões/causas?
          Em 1985 foi-me diagnosticado um sopro cardíaco mas só em 2005 fui operado. Implantaram-me um anel mitral para corrigir esse problema. Mas essa operação provocou um bloqueio atrioventricular (distúrbio de condução do impulso cardíaco) e passados 4 meses tive uma bradicardite sintomática (redução acentuada do ritmo cardíaco). Foi aí que tiveram de me implantar um pacemaker.

  1. Como lhe foi dada a notícia?
          Tudo isto aconteceu muito rápido. Um dia senti-me muito cansado e fui medir a pulsação, como me tinha sido recomendado pelo médico, e estava muito baixa. Fui para o hospital de Aveiro e aí recebi a notícia que me tinham de fazer a operação de urgência para implantar um pacemaker temporário. Só no dia seguinte implantaram o definitivo. Nem tive tempo de assimilar o que me estava a acontecer. Só caí em mim quando estava no hospital em recuperação.

  1. Quais as maiores preocupações/medos em saber que teria que usar um aparelho para o ajudar a viver?
          Como já disse, tudo isto foi muito repentino. Não tive preocupações nenhumas antes da operação. Talvez também por causa da baixa pulsação, estava bastante tranquilo.

  1. De que maneira aceitou o facto de que teria de fazer uma cirurgia, em que consistia em implantar uma “pilha” para ajudar o seu coração a bater?
          Na altura, só queria que cuidassem de mim, pois não me tinha informado sobre o que era um pacemaker. Uma das coisas que poderia ser um factor de risco, era o tabaco, mas eu tinha deixado de fumar há bastantes anos.

  1. Quais as maiores desvantagens que o aparelho apresenta?
          Penso que o aparelho não apresenta nenhumas desvantagens. Até me esqueço que o tenho! Só se nota um pequeno “alto” à beira do ombro que, se as pessoas não souberem, podem achar estranho e perguntar. O que não me incomoda de forma alguma.

  1. A sua rotina é de alguma forma feita em relação ao pacemaker?
          Faço a minha vida normalmente, sem sequer pensar que tenho este pequeno aparelho. Não me impede de fazer nada, embora não deva trabalhar com máquinas eléctricas, nem ter o telemóvel no peito. Por vezes não cumpro estas recomendações, mas nos exames de rotina que tenho de fazer de 6 em 6 meses não tem havido alterações e para já ainda ‘tenho bateria’ para mais uns aninhos.

  1.  O que aconselharia a uma pessoa que tivesse de fazer esta cirurgia?
          Se algum dia alguém precisar de recorrer a esta operação, peço que não fiquem preocupados. A recuperação não é dolorosa e, por experiência própria, não condiciona a nossa vida. Muito pelo contrário.

Agradecemos ao Sr. Mauro por ter colaborado e respondido a todas as nossas questões.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Entrevista a uma doente cardiovascular

Para perceber como era a vida quotidiana de um doente com problemas cardiovasculares, realizamos uma pequena entrevista a uma senhora com 71 anos.

Entrevista a um doente cardiovascular

1. Antes do acidente vascular cerebral (AVC), qual era a sua rotina em termos de prevenção de doenças cardiovasculares?
R: «Como era diabética e tinha colesterol já sabia do cuidado a ter na alimentação, ia muitas vezes ao médico para controlo da medicação. Não andava muito a pé porque tenho um problema no joelho, mas caminhava sempre que podia.»
2.Qual era o seu estilo de vida, antes do AVC?                                     
R: «Acho que era activa, dentro do possível nunca estava parada.»

3.Durante a sua vida até ao surgimento do AVC, sentiu que tinha algum problema cardiovascular?
R: «Sentia-me muito agitada. O coração às vezes disparava com muita força.»

4.Quais os sintomas que antecedera ao AVC?
R: «Ia a caminho de casa de uma amiga e quase ao chegar senti um formigueiro pelo corpo todo até na cara e ao mesmo tempo a senti a cara um bocado torta.»

5.Quando se manifestou o AVC, estava sozinho?
R: «Estava sozinha e resolvi voltar para casa.»

6.Quais as medidas tomadas durante o AVC?
R: «Entretanto resolvi ir à farmácia e a médica disse-me que estava a ter um AVC. Chamou o INEM e fui ao Hospital de Braga fazer um TAC. Depois vim para Barcelos e fiquei internada 8 dias. Afectou-me o lado direito do corpo. Falei sempre.»

7. Como foi feita a recuperação após o incidente?
R: «A recuperação até foi rápida, com fisioterapia todos os dias. Também não tive grandes sequelas após o AVC. Hoje sou autónoma.»

8.De que forma a sua rotina foi alterada depois deste acontecimento?
R: «Deixei de me enervar, fico triste muitas vezes apesar de ser uma pessoa bem-disposta e alegre. Estou sempre com receio que o AVC volte a repetir. Ainda tenho mais cuidado com a alimentação e sempre que posso saio de casa.»

9.Toma algum medicamento para a prevenção de tais doenças?
R: «Tomo medicação para a cabeça, controlo do sangue, osteoporose, tensões, para dormir, para as diabetes e colesterol.»

10.Previne alguns dos seus amigos através da sua experiência?
            R: «Só quando me perguntam, e às vezes dou algumas recomendações para o perigo de se ter um AVC.»

11.Depois desta entrevista, qual é o seu conselho para o grupo que está a tratar deste assunto? Que mensagem deixava ao público em geral para prevenir esse mal?
            R: «Estas meninas que tenham cuidado com os hábitos de vida porque senão a factura é muita cara e não vão haver os familiares para cuidar de nós. Tenham cuidado com a alimentação, não comer gorduras nem em excesso, não comer muito há noite, façam sempre exames de rotina através de consulta do médico de família, fazer exercício no dia-a-dia e deixar correr os problemas porque tudo se resolve, é só dar tempo ao tempo.»


Queremos ainda agradecer á assistente social Fernanda Simões pelo apoio e ajuda que nos deu, pois sem ela não era possível esta entrevista.